Entrevista a Pedro Leal

Entrevista a Pedro Leal

Pedro Leal, um das principais referências do rugby português, recorda em entrevista à FPR os momentos mais marcantes da sua prestigiada carreira, fala das suas referências e revela de que forma gostaria de manter-se ligado à modalidade

 

Que recordações tens do primeiro treino de rugby?

Sinceramente não me lembro; tinha sete anos. Poucas pessoas sabem, mas comecei a jogar no Técnico. Só me lembro que foi com os meus primos e com o meu irmão…

Foto: Luís Cabelo©

A transição para sénior é uma fase complicada na vida de qualquer jogador. O que te levou a nunca prescindir de praticar este desporto?

Para mim é o melhor desporto do Mundo. Experimentei muitos desportos e escolhi o rugby pelos bons valores que tem, e que para mim são únicos. Aos 17 anos podia ter ido para os Estados Unidos ser profissional de Ski Aquático e ao mesmo tempo recebi uma proposta do Brive para integrar o centro de formação. A partir daí começou a minha aventura neste grande desporto. A transição para os seniores foi muito fácil e aconteceu muito cedo. O treinador dos seniores do GD Direito era o grande Tomaz Morais que me lançou aos 17 anos.

 

O que é que o rugby tem que mais nenhum desporto tem?

Primeiro é um desporto em que qualquer pessoa pode jogar, seja alto, baixo, gordo, magro, lento ou rápido. Depois, os valores e o desportivismo que existe dentro e fora de campo. Para mim o rugby é único e, como se diz, é uma escola de vida. Tenho grandes amigos que jogam nos clubes “rivais “. O grande Gonçalo Foro, por exemplo, é meu padrinho de casamento.

Foto: Luís Cabelo©

Se não fosses jogador de rugby, que outro desporto praticarias?

Acho que seria profissional de ski aquático. Fui campeão nacional e ainda tenho o recorde do Mundo de Juniores.

Como é a tua vida extra rugby?

Sou muito dedicado à família. Tenho três princesas em casa que são a melhor coisa do Mundo. Recentemente comecei a trabalhar na Fine&Country, uma agência imobiliária, e estou a gostar muito.

Foto: Luís Cabelo©

Como é que a experiência no rugby se reflecte na tua vida profissional e pessoal?

No rugby o “nós” é mais importante que o “eu” e o rugby ajudou-me a trabalhar em equipa e a ter métodos de trabalho e treino. Tens tempo para tudo desde que sejas organizado.

 

 Como te preparas para os jogos?

Gosto de deixar as coisas preparadas na noite anterior. Agora tenho menos tempo, mas antes de ter filhas lavava sempre as minhas chuteiras. Depois tenho algumas superstições que tento manter.

Há algum jogo na tua carreira que tenha sido especial?

Felizmente tenho muitos jogos especiais. Lembro-me bem do primeiro jogo pelos seniores do GD Direto, com 17 anos. O meu primeiro jogo por Portugal, o primeiro no Campeonato do Mundo de sevens, em Hong Kong – felizmente já joguei três Mundias de sevens, mas esse foi especial. O primeiro jogo no Campeonato do Mundo contra a Escócia e, claro, contra a melhor equipa do Mundo: os All Blacks. Ver o Haka a cinco metros foi único. Lembro-me bem também das vitórias nos sevens: a primeira vitória contra à Inglaterra; a primeira contra a Austrália e contra a África do Sul. Outro jogo que recordo foi o empate com a Nova Zelândia, em Hong Kong. Também todos os títulos com a família do GD Direito.

Foto: João Peleteiro©

Tendo em conta a posição em que jogas, que treino específico é que fazes e que conselhos podes dar todos os que jogam na mesma posição?

Em toda a minha carreira joguei muitos jogos a 9,10 e 15. Tento sempre ir uma hora antes dos treinos para fazer treinos específicos: muitos passes de formação, muita técnica individual, como passe e recepção, e muitos chutos. Como sempre fui chutador, sempre treinei todo o tipo  de pontapés  e muito foco nos chuto aos postes. O conselho que dou a todos os jogadores é para irem mais cedo para os treinos e que façam treinos específicos para cada posição: passe,  placagem e todo o tipo de pontapés. Estamos sempre aprender e a evoluir. Tudo se consegue com muito treino e empenho.

 

Quem são as tuas grandes referências nacionais e internacionais na modalidade?

Nacionais tenho e tive muitos. Tenho a sorte de ter partilhado o balneário com grandes lendas do rugby português, a começar pelo grande Miguel Portela. Depois o João Correira, o Vasco e o Gonçalo  Uva e o Gonçalo Malheiro foram e são grandes referências para mim. Internacional, a começar pelo Lomu, mas também o Jonny Wilkinson e o Dan Carter.

Foto: Luís Cabelo©

Como será a tua relação com o rugby quando deixares de jogar?

Vai ser difícil deixar de jogar. Quando isso acontecer, gostava de ser treinador e continuar mais focado na minha academia de rugby para passar tudo o que aprendi aos mais novos.

 

O que é que o rugby te deu?

Só coisas boas. É uma grande escola de vida. Os meus melhores amigos são todos do rugby e tive a sorte de quase dar a volta ao Mundo com a selecção e isso é único.