Artigo

Entrevista a Pedro Bettencourt

Pedro Bettencourt, um dos internacionais portugueses que emigrou para França, onde cumpre a ambição de ser profissional de rugby, revela em entrevista à FPR qual o jogo que mais o marcou, quem são as suas referências e confessa que gostaria, “daqui a muitos e bons anos”, regressar ao CDUP.

 

– Que recordações tem do primeiro treino de rugby?

Lembro-me pouco. Tinha cinco ou seis anos. Lembro-me de ser o meu pai a levar-me ao treino e apresentar-me ao meu primeiro treinador, o Pedro Sousa Guedes.

131886_844523992276838_7771442326509419888_o– A transição para sénior é uma fase complicada na vida de qualquer jogador. O que o levou a nunca prescindir de praticar este desporto?

Eu sempre tive como objectivo ser jogador sénior. Desde muito cedo tive a ambição de jogar pelo meu país e ser jogador profissional. Ter conseguido ser sénior pelo meu clube foi uma etapa do meu caminho e um objectivo dos muitos que espero ainda alcançar.


– O que é que o rugby tem que mais nenhum desporto tem?

Um espírito e uma forma de estar dentro e fora de campo ímpar.

 

– Se não fosse jogador de rugby, que outro desporto praticaria?

Não sei. Sempre fiz desporto a minha vida toda. Joguei futebol como toda a gente. Mas não me veria a fazer outra coisa sem ser isto.

 

10996014_907294835999753_7163223476502947327_n– Como é a sua vida extra rugby?

Varia muito, mas um dia de treino completo seria começar às 8h30 com treino de ginásio. Depois vídeo com os três-quartos e rugby até à hora de almoço. Às 14h00 temos vídeo e treino de equipa com o dia a acabar por volta das 16h30.

 

– Como se prepara para os jogos?

Não tenho nenhum ritual especial. Se jogo à noite faço uma sesta e é um dia perdido até ir para o jogo. De resto, sou rigoroso com os meus horários. As horas das refeições, das ligaduras, a que vou ver o relvado, etc. Ouço sempre música. Uma que me ponha bem disposto, não importa o género.

 

– Há algum jogo na sua carreira que tenha sido especial?

A minha primeira internacionalização contra as Fiji, em 2013.

 

12779262_808247129279967_5846190846130656704_o– Tendo em conta a posição em que joga, que treino específico é que faz e que conselho pode dar todos os que jogam no mesmo posto?

Coisas muito simples como receber e passar a bola ou enquadrar-me na placagem são aspectos que treino regularmente. É importante também na minha posição ser-se ágil e evasivo para não comprometer em defesa e fazer a diferença em ataque.

 

– Quem são as suas grandes referências nacionais e internacionais na modalidade?

Joaquim Ferreira, Marcello d’Orey e Gonçalo Malheiro. Pela carreira internacional que tiveram, por serem do meu clube [CDUP] e da minha cidade [Porto], e por terem feito parte da única selecção que jogou um Mundial. Internacional talvez o Conrad Smith pelo jogador inteligente que é e Jonny Wilkinson pela sua ética de trabalho.15578360_1270365503024449_271780805373667607_o

 


– Como será a sua relação com o rugby após deixar de jogar?

Espero continuar ligado ao rugby claro. Gostava de voltar ao CDUP um dia mais tarde e ajudar da maneira que puder. Ao lado dos meus amigos. Espero que isso seja só daqui a muitos e bons anos.

 

– Que conselho gostaria de deixar a todos os que o consideram uma referência e que um dia gostavam de chegar a profissionais?

Que trabalhem duro, mais do que os outros que competem com eles. Que um dia isso pagará se acreditarem neles próprios.

 

– O que é que o rugby lhe deu?

Deu-me tanto que nem dá para escrever tudo. Grandes amizades. Deu-me grandes equipas nas quais fiz parte com recordações fantásticas. A oportunidade de viajar pelo mundo fora, conhecer pessoas novas e aprender, sempre!