Entrevista a Gonçalo Foro

Entrevista a Gonçalo Foro

Com 61 internacionalizações, Gonçalo Foro é umas das caras mais conhecidas do rugby português, o ex-capitão do CDUL e ponta na seleção nacional, explica em entrevista à Federação Portuguesa de Rugby, de que forma o rugby influenciou a sua vida profissional.

– Que recordações tem do primeiro treino de rugby?

Tinha 16 anos. Fui apresentado aos treinadores, os ilustres Luis Cassiano Neves e Paulo Murinello, e como era alto mandaram-me para os avançados. Não consigo lembrar-me das sensações que tive, mas devem ter sido boas porque nunca mais parei de treinar desde esse dia.

Foto: Luís Cabelo

– A transição para sénior é uma fase complicada na vida de qualquer jogador. O que o levou a nunca prescindir de praticar este desporto?

Adoro competição, aliás isso é o que me fascina mais no desporto. Quando chegas aos seniores, começas a competir com jogadores com muito mais experiência, e isso é um grande desafio. Com 34 anos, o desafio agora é competir com jogadores muito mais novos que eu, com outra energia, potência, velocidade, etc. O truque é estar constantemente a criar desafios!

– O que é que o rugby tem que mais nenhum desporto tem?

Gosto do facto de ser um desporto que pode ser jogado por qualquer pessoa, seja alta ou baixa, gorda ou magra. Aliás as posições, na generalidade, até estão ligadas á fisionomia dos jogadores. Sou suspeito, mas acredito que o rugby produz os atletas mais completos em termos físicos e intelectuais. É um jogo com uma enorme exigência física e com constante tomada de decisão.

Foto: João Peleteiro

– Se não fosse jogador de rugby, que outro desporto praticaria?

Sou uma pessoa com alguma energia e gosto do confronto físico. Talvez um desporto de luta, como judo ou jiu-jitsu, ou um desporto com algum contacto como o andebol.

– Como é a sua vida extra rugby?

Sou um dos sócios de uma hamburgueria óptima, chamada U-Try, e estou também ligado, como treinador ao projecto da Academia do CDUL. Ainda não sou casado, mas já estou noivo. Adoro cinema e música.

Portugal x Moldávia - 2017/03/11 - All rights reserved. Copyright © João Peleteiro 2017 www.instagram.com/jp_rugby www.jp-rugby.com

Foto: João Peleteiro

– Como é que a experiência no rugby se reflecte na sua vida profissional e pessoal?

A minha experiência no rugby deu-me uma capacidade enorme de trabalho, resiliência e ter cabeça fria em situações de stress.

– Como se prepara para os jogos?

O saco preparo sempre no dia anterior. Gosto de me levantar cedo e tomar um pequeno-almoço completo, porque na refeição antes do jogo não costumo comer muito. Citando um antigo treinador meu, “os animais quando vão caçar, vão com fome”. No balneário procuro sempre um dos cantos, por ser mais fácil de arrumar o equipamento. Tento ouvir musica que de alguma forma ajude a aumentar os meus níveis de energia. No meio de todas estas rotinas vou visualizando mentalmente o que treinámos e o jogo.

Foto: João Peleteiro

– Há algum jogo na sua carreira que tenha sido especial?

A final do campeonato no Estádio Universitário de Lisboa contra o GD Direito, em 2013/14. No ano anterior tinha perdido o meu pai e vencer esse jogo teve um sabor especial.

– Tendo em conta a posição em que joga, que treino específico é que faz e que conselhos pode dar todos os que jogam a ponta?

Sendo ponta, procuro treinar duelos de um para um, agarrar e contestar bolas altas. As habilidades que uso mais são o contacto e “handoff “por isso são skills que treino. Mas nunca podemos descurar técnica gerais como a placagem, o “breakdown”, carregar a bola, evasão.

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Foto: Manuel Gaivão

– Quem são as suas grandes referências nacionais e internacionais na modalidade?

Muitos tiveram impacto na minha formação como jogador, uns mais velhos que eu, outros mais novos. Aguilar, Pipas, Vasco, Cabral, Bifes, Pipoca e Girão influenciaram-me muito, mas ainda hoje continuo a aprender com jogadores como o Kiko Pinto Magalhães, o João Lino, o Tomás Appleton, o Zé Lima, o Nuno Penha e Costa, entre outros.

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Foto: Luís Cabelo

– Como será a sua relação com o rugby quando deixar de jogar?

Neste momento já estou a dar treinos no CDUL, e tem sido um desafio enorme. O segredo é retirar-me para algo em vez de me retirar de algo!

– O que é que o rugby lhe deu?

É difícil essa. Nem me imagino sem rugby, seria outra pessoa. O rugby continua a moldar-me, dá-me amigos para a vida, dá-me experiência, ensina-me a lidar com as vitórias, derrotas e frustrações, mas acredito que existe entre nós uma sinergia. Quanto mais eu der ao rugby, mais dele vou receber.

Foto: Luís Cabelo