Comunicado

Comunicado

10 de Setembro de 2017 foi um dia de emoções contrastantes para o rugby português. Começámos com a emoção de ver os nossos Sub18 vencer a Geórgia e a Espanha na bola de jogo, numa demonstração de carácter e talento que nos dão o direito a continuar a esperar o melhor para o nosso rugby. Era, estávamos todos convencidos, o prelúdio favorável para o que se viria a passar em Montevideu, na final mais esperada nos últimos 10 anos pelo rugby português.

Esta equipa é, de facto, especial. Já o sabíamos, quando venceram os Sub18 Escoceses. Conhecêmo-los desde os estágios de Sub16. Num dia de dilúvio bíblico, jogaram com a intensidade e o rigor com que surpreenderam o mundo, e muito concretamente o Uruguai, Hong Kong e Fiji. É verdade que estávamos a perder, mas com uma crença que só estes enormes jogadores sabem ter, ninguém no estádio estava convencido que os 14 minutos que faltavam até ao final seriam insuficientes para a vitória. E foi então que soou o apito do árbitro.

Passados 5 minutos, foi-nos comunicado que o jogo havia sido dado como terminado, por razões de segurança, devido à trovoada e imensa chuva. Perante a nossa insistência, foi-nos dito também que não valeria a pena esperar mais, porque as luzes do estádio não eram suficientes para iluminar um jogo, perante a noite que começava a cair. E foi-nos dito ainda que, por razões logísticas, seria impossível retomar o jogo no dia seguinte.

Neste momento sentimos a violência dos sentimentos: os jogadores incrédulos, silenciosamente revoltados. Os treinadores Luis Pissarra e António Aguilar de lágrimas nos olhos. E foi neste preciso momento que percebemos a dimensão dos nossos campeões: confrontados com uma decisão que não têm de compreender ou aceitar, os jogadores, os treinadores e todo o staff mantiveram a elevação, a cordialidade, o respeito e a dignidade. Dentro e fora de campo, este grupo respeita Portugal e tudo o que representamos enquanto país e modalidade.

A Direcção da Federação Portuguesa de Rugby apresentou, nas primeiras horas da madrugada de 11 de Setembro de 2017, protesto formal contra a decisão do Director do Torneio de dar o jogo por terminado, solicitando que a questão seja agora decidida por uma Comissão de Disputas, a constituir nos termos do regulamento específico da competição. Não está em causa o valor do nosso adversário, o Japão, cuja equipa revelou uma enorme qualidade, bem como um enorme respeito pela nossa situação. Caso se confirme a vitória do Japão, todo o rugby português saberá reconhecer o indubitável valor do nosso adversário. Mas julgamos imprescindível lutar pela verdade desportiva, pelo direito dos nossos Sub20 a 80 minutos em que possam transformar o seu sonho em realidade. Não existe um prazo previsto ou definido para decisão pela Comissão de Disputas.

Aos nossos Sub20, a todos os que contribuíram para o seu crescimento, aos pais e apoiantes em Montevideu, a todos aqueles que incessantemente apoiam esta equipa em Portugal, ao staff e funcionários da Federação que colocam o seu coração em tudo o que fazem pelas selecções nacionais, aos fantásticos clubes nacionais que formam os nossos jovens, à Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto e ao IPDJ que tão decisivamente apoiaram esta Selecção, dirigimos o nosso sincero agradecimento, com a esperança de podermos ainda ter direito a lutar pelo título de campeões do World Trophy.

Luis Cassiano Neves